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Oficina Semana da Educação – FE/Unicamp

por Mirna Rolim

Ao todo foram sete participantes nesta oficina e o envolvimento foi inteiro. Montamos uma instalação na sala de atividades corporais na Faculdade de Educação na Unicamp, incluindo livros, imagens, produções de oficinas anteriores, poesias, tecidos, objetos que remetessem ao universo afro-brasileiro, galhos, folhas secas e música. Os participantes entraram para a oficina em meio a esta atmosfera performática, curiosos, e um tanto reticentes.




Conversamos em roda sobre o núcleo e suas ações e os convidamos a explorar os elementos ali que, expostos, compunham o cenário. Foi um momento de mergulho, cada um vivenciando internamente o que aqueles estímulos movimentavam e ecoavam. Aos poucos, estes movimentos e ecos começaram a sair do âmbito individual e a serem compartilhados por meio da leitura em voz alta de fragmentos de histórias e poesias que ali se encontravam.





Deste momento para a criação de imagens e textos foi um passo fluido. Mais uma vez o movimento partiu do individual para o coletivo, pois inicialmente cada um elaborou uma frase poética, um desenho, e posteriormente essas criações foram interagindo entre si naturalmente, havendo inclusive algumas consonâncias nas produções, fruto de uma sintonia sutil que se instaurou nesta tarde agradável e produtiva.





Oficina no SESI - Campinas

por Angélica Brotto

O Coletivo Fabulografias partilhou uma oficina de poemas-imagens no SESI Campinas, entre os dias 13 e 14 de novembro. O tema “Literatura africana em língua portuguesa” entrelaçou em um grupo, de aproximadamente dez pessoas, muitas possibilidades de re-criações e contatos com a memória de Áfricas passadas e presentes.



Partindo de chamados, que nascem de questões atuais sobre as africanidades vivenciadas no Brasil foi possível estabelecer conexões entre o sensível, que tocava a cada um dos participantes, em significados múltiplos. Assim, as atividades resultaram em diversas leituras do tema, a partir de foto-imagens, poemas, sons, filmes, história e uma deliciosa roda de prosa.





No primeiro dia foi disposto um banquete de imagens e poesias, um convite à interação com a criação do grupo, o movimento foi fecundo, de muita atividade imagética. Já, no segundo dia, foi possível conversar mais a respeito da poesia africana, per- passando pelas linhas de sua historicidade e composições. Ao final, o grupo assistiu ao filme “Cartas para Angola”, seguindo de um debate, misto de conversas poéticas, ao sabor dos rastros históricos e vivências de cada um.




Oficina-sarau no evento “Afetos Nascentes” - Museu da Imagem e Som de Campinas - novembro de 2014


por Angélica Brotto


O encontro envolveu artistas, pesquisadores, universitários e público, reunidos para uma criação audiovisual coletiva a partir do tema mudanças climáticas, seca, inundações e as adaptações. O evento foi organizado pela Sub-rede Divulgação Científica e Mudanças Climáticas da Rede CLIMA ligada ao Laboratório de Estudos Avançados em Divulgação Científica (Labjor – Unicamp).




O espaço do MIS foi tomado por cachoeiras de pano, simulações digitais de mar/água, exposição de sons e sentidos. Criamos um rio que desembocava na rua, cheio de poemas, mini-contos, livros e imagens produzidas e/ou selecionadas pelo Coletivo. Havia folhas também e cheiros. Esse rio nascia de uma cabaça, utensílio muito utilizado no armazenamento e transporte da água e símbolo da criação do mundo e das águas na cultura ioruba. Começamos a declamação dos poemas. E ali havia uma composição de sentidos: músicas, toques, leituras, e observações através dos rios, das imagens, das folhas, explorando imaginações que transbordam o tema.






A participação do Coletivo Fabulografias na exposição foi inundada de sensações e reconstruções. O espaço incorporou o devir do momento, expresso através do rio que comungou poesia, imagens, cheiros e música e envolveu as pessoas ali presentes num transe: a voz virou o instrumento, o instrumento poesia, a poesia imagem, a imagem cheiro. Veio então, o momento de ouvir. A tradição que emana da oralidade foi sentida nas palavras de Babalorisa Faseyi Dada, que narrou aos ouvidos atentos o valor sagrado da água. Água enquanto geradora de todas as vidas, si mesmo como parte de um todo. O clamor por respeito inundou os sentimentos, um respeito pela vida que abriga a si e ao outro.





Pelos muros da cidade, um encontro
Em frente ao MIS um encontro que reverberou. Uma intervenção do Coletivo Comunicadores Populares com criações de diversos artistas em homenagem a Cláudia Silva Ferreira assassinada no Morro da Congonha pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em março de 2014. 
Seu nome era Claúdia, e ela não foi arrastada pelas ruas, presa ao carro de policiais, acidentalmente. Ela foi assassinada, sua carne negra, é a carne mais barata do mercado. O racismo é velado, mas persiste, seleciona, marginaliza e destrói muitas vidas. Do lado de fora, um paredão gritava aos nossos olhos uma denúncia da discriminação e violência às quais os negros estão, cotidianamente, expostos na sociedade. Não seremos cúmplices, não esqueceremos... Seu nome era Claúdia.









Oficina na Diretoria de Ensino de Campinas Leste - outrubro de 2014

por Rodolfo Fordiani


O Núcleo Fabulografias - ALB foi convidado a participar de um evento de capacitação sobre ensino com foco em africanidades, buscando a descolonização e combate ao racismo presente em todas as esferas sociais, inclusive na do ensino. O público era composto por professores coordenadores da Diretoria de Ensino Campinas Leste. Nesta manhã de trabalho os professores tiveram contato com múltiplas formas de apresentar a questão. Uma aluna vestida com traje do seu terreiro Candomblé falou de sua religião e convidou a todos para irem até a casa dela conhecerem de perto toda essa riqueza que resiste. Alguns alunos da escola que sediou o encontro apresentaram um espetáculo composto por axé e capoeira. Foi muito axé! Uma das palestrantes tratou da presença dos negros no esporte, no entanto, desconsiderou questões políticas e se posicionou muito distante do que propunha mesmo aquilo tudo: o combate ao racismo.









Montamos uma exposição com imagens criadas em outras oficinas, poemas, mini-contos, livros e instrumentos. O retroprojetor apresentava o vídeo também criado pelo coletivo. Após uma aproximação e recepção do público na exposição, começamos a experimentar a criação através da fala, do toque e da expressão que foram revelados naquele contato com os elementos dispostos.

Oficina na Escola E.M. "Profª. Maria Domingas Tótora de Góes" – Sorocaba - SP

por Rodolfo Fordiani

Uma creche numa escola municipal em Sorocaba inaugurou minha participação no Núcleo Fabulografias - ALB. Diferentemente das minhas outras participações em projetos, neste percebo-me aconchegado num espaço em que os olhos de quem trabalha/convive com você estão no horizonte e não acima das cabeças. O que seria uma apresentação de trabalho novo, logo se transformou, para mim, num espetáculo de criação, experimentação e/em imagem no qual todos os presentes participavam da construção. O público reunia funcionários dessa escola e alunos de pós-graduação de uma das integrantes do Coletivo Fabulografias.














Uma pluralidade de pessoas sem demarcações hierárquicas foram acolhidas com um café da manhã pelo diretor desta creche. Dividimos a turma em três grupos que se revezaram para que todos experimentassem as atividades das oficinas.
Em uma das atividades, as pessoas trabalharam com a imagem enquanto sombra, cor e forma - fotografando e observando esses elementos com seus olhos e dispositivos eletrônicos. Foram assim criando novas sensações a partir desses aspectos, que se encontram tão distantes da nossa mente (mesmo estando presentes o tempo todo).
Outra atividade reuniu ao redor de uma mesa uma exposição de imagens em vários tamanhos construídas em outras oficinas do Fabulografias, alguns instrumentos afrobrasileiros, muitos poemas, mini-contos e alguns livros. Perto dessa mesa organizamos uma exposição com os itens trazidos pelos convidados, que variavam de livros a pó de café. Nesse espaço houve tempo para observação e recepção - as pessoas tocavam, liam, analisavam. Algumas se encantavam com o colorido de uns instrumentos, outras se deslumbravam com as imagens e os escritos. Para outras, parecia algo fútil - muito estranho ou de compreensão distante de si.














Abrimos um momento para criação escrita, produzindo poemas e pequenos textos. Teve gente que resgatou música criada em outro momento de sua vida! Muitos versos sensíveis... E teve também quem perguntasse se aquilo ali não era coisa do diabo! Para finalizar, nos reunimos ao redor da mesa e expusemos nossas expressões mais verbais/corporais: lemos, falamos, cantamos, tocamos e escutamos.
No decorrer da oficina, formou-se um grupo de gente gingando capoeira (foi por pouco tempo, mas foi incrível essa expressão da África que ventava ali, que muito retrata a resistência de um povo que sempre teve sua cultura em processo de apagamento).
Ainda havia dois espaços conectados para que as pessoas circulassem. Num deles ocorria a criação com imagens, em que se exercitavam algumas formas de inventá-las com papel, tesoura, imagens, lã de aço e outras ferramentas. Lá foram produzidas muitas e ricas imagens/composições.
O outro ambiente recebia uma experimentação multimídia com a reprodução sonora e visual de um vídeo produzido pelo Coletivo; projetava também imagens de outras oficinas, cadenciadas com uma trilha sonora, “Me Gritaron Negra”, da cantora afro peruana Victoria Santa Cruz. Esta música é um relato sobre a vivência do racismo de/em diferentes formas/fases da vida. Uma ciranda dançou as intensidades deste encontro que foi encerrado por um almoço carinhosamente preparado pelas cozinheiras da escola.